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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Professor dá show ao responder aos seus alunos se ele é gay; veja a resposta

O debate sobre a sexualidade do professor teve início com a pergunta de uma aluna sobre a orientação sexual do professor Vitor Fernandes, do Rio de Janeiro, que indagou se ele era gay. Vitor poderia ter dito um simples sim ou um não, porém ele resolveu utilizar sua página no facebook para um debate sobre o tema. Após sua postagem, os cometarios e compartilhementos foram crescendo com bastante intensidade, viralizando nas redes sociais e site de notícias.

Diante da pergunta da aluna, Vítor decidiu responder aos demais alunos e aproveitou para questionar os motivos que os levaram a questionar sua orientação sexual. Foi uma conversar sem rodeios, clara e tranquila. Desta forma, o mestre aproveitou a oportunidade para debater na aula os estereótipos associados ao que é “ser homem heterossexual“.

Neste bate papo a classe se posicionou sobre diversos temas que definiam a orientação sexual de uma pessoa e o professor foi listando essas observações da turma.

No último dia 19 de setembro, Fernandes postou em rede social o assunto que se transformou em um viral nas redes socais. Mais de 76 mil pessoas compartilharam e apoiaram a postura do professor e a postagem já tem mais de três mil comentários. De curtidas, já passam de 46 mil.

O professor tem acompanhando a repercussão da sua atitude e agardecido o apoio da mídia na divulgação desta atitude cidadã.
Na página do Facebook do nosso site ele deixou o seguinte comentário:

“Fico muito feliz em ver o artigo sendo publicado aqui. Espero ajudar o debate de alguma forma. Não sou estudioso do assunto. Pode ser que alguma comparação que fiz tenha sido inadequada, mas eu estava lidando com adolescentes de 15 anos da periferia do Rio, que nunca tiveram essa discussão. Então os exemplo precisam ser simples. Espero ter contribuído” postou Fernandes.

.Veja a resposta do professor:

Professor, o senhor é gay?

Já ouvi essa frase algumas vezes. Uma vez por ano ao menos algum aluno pergunta. Na verdade, geralmente alunas. Como já ouvi várias vezes e sempre me intriguei com o porquê da pergunta e hoje, a pergunta veio de uma aluna de uma turma de 1º ano no meu CIEP, em Inhoaíba, resolvi usar Paulo Freire e partir do concreto para o abstrato. Parei a aula e mudei o tema para “gênero e sexualidade” (estudávamos antropologia, então é pertinente). Usei a pergunta da aluna e a mim mesmo como exemplo.
Perguntei a ela o que a levou a fazer a pergunta. Qual era o motivo da suspeição da minha homossexualidade? A aluna não quis responder, com medo de uma reação negativa ou até agressiva minha, como é bastante comum na sociedade. Insisti e ela começou a falar. Daí todos os alunos se interessaram muito e começaram a falar também os motivos de suas suspeitas.
Resolvi, para ser didático, anotar no quadro os motivos para debater um a um.
Os motivos, que para eles são características da homossexualidade que eu tenho, foram os seguintes:

– Uma aluna me deu mole e eu não “peguei”.
– Coloco às vezes a mão na cintura
– Gestos e fala característico de homossexual (segundo dois garotos apenas)
– Não fala de relacionamentos, namorada, nem da vida pessoal, o que fez no fim de semana, etc. E outros profs falam…

– Sou professor novo, moderno, simpático. Isso n é característica masculina.
– Tem outros alunos comentam que eu sou gay
– Sou vaidoso, me cuido esteticamente.
– Quando os alunos me perguntaram se eu era gay, não neguei agressivamente, mas debati o assunto. Só no final disse que não era. Não provei que era hétero mostrando fotos minha com alguma namorada, etc
– Não sou machista
– Tenho 30 anos, não casei e não tenho filhos. Todos as pessoas e trinta anos que eles conhecem já casaram e tiveram filhos. Só gays chegam aos 30 sem casar.
– Tenho amigos gays.

Sim, a lista foi longa (rs) e os instiguei a falar tudo.
Não é difícil deduzir que os pressupostos (anotados no quadro tb) dessas falas são:

– Homem que é homem, pega aluna, não rejeita mulher.
– Homem que é homem não coloca a mão na cintura.
– Homem que é homem fala das mulheres que “pega”, “prova” que é homem através de fotos com mulheres.
– Professor hétero não é simpático. Simpatia não é característica masculina.
– Homem que é homem não é vaidoso.
– Homem que é homem nega com veemência a homossexualidade, como se fosse um crime. E é obvio que homem de verdade não debate esses assuntos, muito menos usando a si mesmo como exemplo.
– Homem que é homem é machista.

Obs.: como eu queria as feministas “linha dura” que me acham O escroto machista lá naquela sala pra debater isso com eles. rsrs

– Homem de verdade casa antes dos 30 e tem filhos antes disso. Talvez vc se pergunte o porque eu não neguei com veemência e encerrei o assunto? Porque debati algo pessoal com adolescentes de 15 anos em média?

Primeiro: qual o problema em ser gay? Porque negar isso com veemência? É crime? Imoral? Não. Ser gay ou hétero para mim é como ser flamenguista ou botafoguense. Não tem nada de bom ou ruim em nenhum dos dois.

Segundo: Acho que foi a melhor das oportunidades de debater um assunto tão delicado e proporcionar o acesso à uma outra visão de mundo aos alunos.

Não. Não sou gay rs e fiquei impressionado com a visão estreita de gênero e sexualidade de adolescentes me pleno 2016, tão limitada e machista. E fiquei imaginando a feroz repressão que os homossexuais sofrem no dia-a-dia.

Por outro lado é compreensível os alunos terem essas concepções na cultura onde estão inseridos.
Como assim vc tem 30 anos e não casou se as meninas têm filhos aos 15 às vezes? rs
Como assim vc não pega aluna que te dá mole? Só pode ser viado rs

Eu resolveria facilmente o “problema” mostrando foto com alguma mulher com que fiquei, mas porque eu me preocuparia em provar a heterossexualidade como quem prova a inocência. Porque usaria uma mulher como prova de algo?

Pode parecer engraçado para muita gente ler isso e pra mim foi. Muito. rs Mas para eles não. É o que pensam mesmo. Parece anos 1940, mas é 2016…

Imaginem se o projeto “escola sem partido” continua avançando como está. Voltaremos às trevas em pouco tempo. Precisamos debater gênero e sexualidade nas escolas, mais do que nunca!
O machismo é opressor com os homens também, se liguem nisso!

Obs.: Hoje fui trabalhar com uma camisa rosa. Aí ferrou… rs

2 comentários :

  1. Achei a abordagem adotada pelo professor muito interessante e adequada, exceto pela citação que escola sem partido seria algo nocivo. É exatamente o oposto. Um professor faz o seu trabalho quando mostra e permite abrir um debate apresentado todos os lados de uma questão. A proposta de escola sem partido é exatamente isso. Não doutrinar, mas apresentar todas as ideologias e deixar que o aluno escolha aquela que acha melhor para si, ou simplesmente não escolher, pois cada indivíduo tem um tempo para tudo.

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  2. Nota-se que o valoroso profissional é de esquerda, pois já colocou o dedo na ferida. Já está doutrinando a classe demonstrando com o acertado debate sobre a sexualidade que isso acontece quando a esquerda política manda na sociedade. Pena!Até gostei do que ele fez, mas infelizmente é um professor de esquerda, coisa que eu não consigo aceitar visto que professores (formadores de opinião natos) e jornalistas sempre são os mais visados quando a ditadura de esquerda assume o poder político de um país de forma perene (vide Venezuela e Cuba)

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